Ser escritor é mais do que escrever narrativas, é também se encantar com as histórias que nascem da sua estória.

Permita-me um pequeno exemplo pessoal: fui agraciado com a publicação do meu primeiro livro, John McLoving e a Busca do Mijo da Vida, pela Editora Nocaute. Após dez anos de escrita quase diária, enfim o lançamento. Se não bastasse, pude me encontrar com o público leitor na “noite de autógrafos”.

Enquanto conversava com as pessoas no saguão, momentos antes de iniciar um bate-papo sobre o processo criativo, a mãe de dois filhos – uma menina de cinco anos e um menino de três – chegou até mim e disse o seguinte. Quando estavam em casa se preparando para o evento, ela explicou à filha o que fariam naquela noite. A menina, curiosa, perguntou à mãe se o livro escrito por mim era “grande ou pequeno”. A mãe respondeu ser um dos grandes. A menina então arregalou os olhos e verbalizou o seguinte espanto: “Nossa mamãe, então ele conhece todas as palavras do mundo!”.

Dois dias após o lançamento, a menina pediu à mãe para levar meu livro para a escola. O pedido foi acatado sem questionamento. Pelo caminho, sentada em sua cadeirinha no banco de trás do carro, a menina virou página por página e foi “lendo” para o irmão na cadeirinha ao lado a história de um cowboy aventureiro e seu chapéu. O trajeto até a escola foi recheado por tiroteios, corrida de cavalos e bolas de feno rolando ao fundo. Se não bastasse, mais tarde, foi a vez do menino retribuir à irmã a história contada. Ele pegou o livro e foi “lendo” para ela.

Para o autor que aqui vos fala, ou melhor, escreve, a sensação é única, inefável. Fico pensando o que foi estampado na mente dos pequeninos ao participar do lançamento do livro naquela noite… ao olhar de baixo para cima o escritor de quase dois metros de altura e saber que ele era o grande “conhecedor de todas as palavras do mundo”. Mas o principal fator é saber da parceria literária de ambos irmãos na invenção da própria narrativa (ou seria uma extensão livro? Talvez uma versão melhorada?).

Ser escritor também significa se encantar com os caminhos insondados que sua obra ganha. É ter a humildade de saber que depois de impressa no papel, sua história já não mais te pertence: ela é do povo; ela é da cultura; ela passa a ter diversos coautores, como uma menininha de cinco anos de idade. Escrever é doar-se, é desprender-se, pois você nunca mais saberá onde encontrar o ponto final da narrativa iniciada em seu coração.

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Mickael Menegheti

É procurado vivo ou morto. É psicólogo, casado e foi visto pela última vez onde nasceu, na mais mineira das cidades paulistas, Franca. Entrou para vida de bandoleiro escritor após assistir ao filme A Odisséia (1997) quando tinha onze anos de idade, plagiando boa parte dos monstros mitológicos. Lá nascia os personagens de seu romance A Lenda dos Noturnos. Por alguns anos, disfarçou-se de ator e diretor de teatro adaptando obras como Os Miseráveis, O Pequeno Príncipe e O Auto da Barca do Inferno. No mundo das letras, inflou pessoas rabiscando um conto que deu origem ao romance John McLoving e a Busca do Mijo da Vida, conto esse publicado na 2º edição da revista Pulp Fiction. Tambem é autor do romance de ficção fantastica Lorenzo. É fã da obra de Sergio Leone, do game Red Dead Redemption e o clássico Banzé no Oeste. Paga-se boa recompensa a quem o entregar às autoridades.

2 comentários

Zenilda almeida do Valle Oliveira · 09/26/2017 às 7:58 pm

Amei sua dissertação sobre de quem é a história realmente. É uma analise bastante inteligente para não ser considerada NÉ !? Parabéns!

    Mickael Menegheti · 09/27/2017 às 12:08 am

    Obrigado pelas palavras, fico feliz que tenha gostado.

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